Litíase Biliar

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O que é?

A vesícula biliar é um pequeno órgão em forma de pêra que se localiza do lado direito do abdómen, imediatamente abaixo do fígado. Ela é responsável pelo armazenamento dos líquidos digestivos que são libertados no intestino delgado durante a digestão.

Os cálculos biliares, ou litíase biliar, (“pedras” na vesícula biliar) correspondem a depósitos de líquidos digestivos “endurecidos” que se formam na vesícula biliar.

Estes cálculos podem ser tão pequenos como grainhas de uvas ou atingir o tamanho de bolas de golfe. Podem ser únicos ou múltiplos. 

Esta é uma condição frequente. Na Europa cerca de 10% das pessoas têm litíase vesicular.

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Qual a sua causa e fatores de risco? 

Admite-se que os cálculos se formem quando existe um desequilíbrio nos componentes da bílis, em especial quando a bílis contém demasiado colesterol ou demasiados pigmentos biliares. Outra das causas para a formação de cálculos é o mau funcionamento da vesícula biliar, com um esvaziamento lento ou incompleto durante a digestão. 

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de litíase biliar são:

  1. O sexo feminino;
  2. A idade superior a 60 anos;
  3. O excesso de peso/obesidade;
  4. Uma dieta pobre em fibras ou rica em colesterol;
  5. A gravidez;
  6. A história familiar de litíase biliar;
  7. A diabetes;
  8. A perda de peso demasiado rápida;
  9. O consumo de alguns medicamentos que reduzem o colesterol e medicamentos que contêm estrogéneos, como os medicamentos hormonais.

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Quais os sintomas?

A maioria das pessoas com cálculos biliares não tem qualquer sintoma.

Contudo, se um dos cálculos encravar no canal de drenagem da bílis, podem surgir sinais e sintomas, nomeadamente dor de início súbito e de intensidade crescente na região superior direita ou no centro do abdómen. Esta queixa, chamada cólica biliar, é o único sintoma que de facto pode ser atribuído à litíase e pode associar-se a dor na região dorsal entre as omoplatas ou dor no ombro direito.

As queixas de “más-digestões”, azia, flatulência, enjoos, vómitos, dores de cabeça ou “amargos de boca” não podem ser atribuídos aos cálculos na vesícula biliar e não vão desaparecer após o tratamento da litíase.

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Existem complicações?

As complicações da litíase biliar incluem:

  1. Colecistite aguda – Inflamação aguda da vesícula biliar que se manifesta por dor abdominal intensa e febre;
  2. Pancreatite aguda – O pâncreas é um órgão responsável pela produção de enzimas digestivas, que são posteriormente transportadas pelo canal pancreático para o tubo digestivo. Se um cálculo bloquear o canal pancreático, pode ocorrer inflamação do pâncreas (pancreatite aguda). A pancreatite aguda é uma doença potencialmente grave, que se caracteriza por dor intensa e persistente na região central do abdómen e que irradia para o dorso e que necessita, geralmente, de hospitalização;
  3. Cancro da vesícula- A litiase biliar associa-se a um aumento do risco de neoplasias de vesícula. Contudo estas neoplasias são muito raras pelo que, mesmo nas pessoas com cálculos, o risco de desenvolvimento desta neoplasia é muito baixa.

Todas estas complicações ocorrem mais frequentemente nas pessoas que têm sintomas associados à litíase (cólica biliar). Na ausência de sintomas as complicações são pouco frequentes.

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Como se diagnostica?

A litíase biliar pode ser diagnosticada através de uma ecografia abdominal ou outro exame imagiológico, nomeadamente TC abdominal.

Muitos dos casos de litíase biliar são diagnosticados em exames solicitados por motivos não relacionados com esta patologia.

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Como se trata?

As pessoas com sintomas atribuíveis à litíase biliar têm indicação para ser submetidos a uma cirurgia para retirar a vesícula (colecistectomia). A colocistectomia é habitualmente efetuada por laparoscopia (tipo de cirurgia em que os instrumentos entram no abdómen por pequenos orifícios), embora por vezes seja necessário recorrer à cirurgia convencional.

As pessoas que não têm sintomas geralmente não necessitam de cirurgia. Existem, contudo, alguns grupos de doentes, como por exemplo os doentes diabéticos, os que vivem em países remotos com dificuldade de acesso a cuidados de saúde, ou os que têm a vesícula calcificada, que poderão beneficiar da colecistectomia, devendo essa decisão ser discutida com o médico assistente.