A Prevenção

Previna o cancro coloretal...

Não pertence a nenhum dos grupos de risco referidos acima (Quem está em risco?), não tem sintomas, mas tem mais de 50 anos?

Então, não hesite, porque tem de fazer o rastreio.

Não se esqueça que faz parte do grupo que dá origem a 70% dos cancros do intestino. Não se esqueça que todos os dias no nosso país morrem 9 a 10 pessoas com cancro do intestino. Portanto, a responsabilidade é grande. Tem nas suas mãos a possibilidade de melhorar estes números, reduzir a mortalidade e, principalmente, reduzir a frequência de cancro do intestino.

Mas ainda não sabe como.

Na realidade, tem duas opções para o rastreio do cancro do cólon e reto.

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A primeira opção será um teste de fezes, designado por teste de pesquisa de sangue oculto nas fezes.

Este teste pretende, tal como o nome indica, identificar a presença de sangue nas fezes e utiliza a possibilidade dos tumores do intestino sangrarem. É importante informá-lo que os pólipos raramente determinam perda de sangue e, portanto, este teste não pode ter como objectivo a identificação dos adenomas. Deve ser repetido anualmente e, se for positivo, tem de ser seguido obrigatoriamente de colonoscopia.

Se esta foi a sua escolha terá a possibilidade dum tumor localizado no seu intestino ser diagnosticado precocemente, numa fase inicial, numa fase em que a probabilidade de tratamento curativo é muito elevada. No entanto, terá sempre de ser submetido a cirurgia, associada ou não a quimio e/ou radioterapia. E já sabe as dificuldades pelas quais poderá ter de passar ao realizar estas terapêuticas, ainda que com intenção curativa.

É fundamental perceber que este teste tem alguns problemas e o mais importante relaciona-se com o facto dos tumores do intestino não sangrarem todos os dias ou a quantidade de sangue que perdem ser muito baixa e, portanto, não detetável. Isto significa que pode ter um tumor no intestino mas o teste não deteta sangue. Para ultrapassar este enorme problema é necessário repetir o teste frequentemente, em intervalos curtos, no máximo de um ano. A repetição do teste em intervalos curtos aumenta a possibilidade do teste ser realizado num dia em que o tumor dê origem a uma perda de sangue. Mais uma vez chamo a sua atenção para a necessidade de realizar colonoscopia sempre que o teste é positivo porque só este exame permite o diagnóstico definitivo do tumor.

Pode ainda acontecer, por várias circunstâncias, o teste ser positivo e a colonoscopia não revelar alterações significativas. Neste caso não deve ficar preocupado. Este facto, muito provavelmente, poderá justificar-se pela presença de hemorróidas, situação muito frequente na idade adulta, mesmo que a sua existência lhe tenha passado despercebida. Na realidade, a doença hemorroidária constitui a principal causa de sangue nas fezes e pode justificar a positividade do teste de fezes. Portanto, se o teste for positivo e a colonoscopia não revelar alterações, não é necessário repetir o teste no ano seguinte, a colonoscopia constitui a melhor estratégia de rastreio do cancro do cólon e reto e, assim, estará protegido durante alguns anos. Existe um ponto essencial ao qual é fundamental resistir: nunca, nunca se deve confirmar um teste positivo, realizando-o de novo. Definitivamente, um teste positivo obriga sempre à realização de colonoscopia.

Apesar de todas estas dificuldades relacionadas com os testes de pesquisa de sangue oculto nas fezes, devo informá-lo que estes testes foram os primeiros a serem utilizados no rastreio do cancro do cólon e reto e demonstraram ser eficazes. Na realidade, a sua utilização cumprindo as regras já referidas (repetição anual seguidos de colonoscopia, sempre que positivos) e quando se comparava com a população que não realizava o rastreio, reduziam de forma significativa a mortalidade por cancro do cólon e reto. Gostaria, ainda, de o informar que a eficácia destes testes, no rastreio do cancro do cólon e reto, é semelhante à eficácia da mamografia no rastreio do cancro da mama.

No entanto, estes testes começaram a ser utilizados na década de 70, há mais de 30 anos e, nessa altura, a lesão alvo do rastreio era o tumor num estádio inicial. A verdade é que actualmente, no século XXI, sabendo que cerca de 90% dos cancros do intestino têm origem num pólipo, o adenoma, a lesão alvo do rastreio deve ser o adenoma. Na realidade, o seu diagnóstico e a simples remoção durante a endoscopia, ao interromper a progressão para cancro, determina a diminuição da frequência dos tumores do intestino e, assim, evita, inclusive, a necessidade de submeter os doentes a cirurgia e outras terapêuticas igualmente agressivas.

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A segunda opção para o rastreio do cancro do cólon e reto tem assim, como lesão alvo não apenas os tumores mas, principalmente, os pólipos. Este objectivo pressupõe a observação do intestino.

Para cumprir este objectivo existem dois tipos de exames: os exames radiológicos e os exames endoscópicos. Já leu algumas palavras em relação a estes exames quando abordei o aspecto do diagnóstico em função dos sintomas.

Numa perspetiva de rastreio, portanto, se não tem sintomas, deve perceber que todos os exames têm vantagens e desvantagens. O exame ideal é aquele que é fácil de realizar, económico e eficaz. Eu tenho por hábito dizer que o melhor teste é aquele que é realizado, porque, na realidade, o que é importante é realizar o rastreio e qualquer teste ou exame é melhor que não fazer nada.

Mas existe um pormenor muito importante. O único exame que permite observar o interior do intestino e simultaneamente caracterizar as lesões observadas e, acima de tudo, remover os pólipos, é a colonoscopia.

Imagine as vantagens de realizar um exame que, ao mesmo tempo, identifica a lesão e permite o tratamento dessa lesão!

Se escolher esta opção, mais do que rastreio, está a tomar uma atitude preventiva e a diminuir de forma importante a possibilidade de desenvolver cancro do cólon e reto.

Mas, de certeza que gostaria de saber até que ponto a colonoscopia virtual, que já sabe ser um exame radiológico, permitirá o diagnóstico dos pólipos. A colonoscopia virtual, numa perspectiva de rastreio levanta alguns problemas. Por um lado, este exame não permite o diagnóstico de pólipos planos, pólipos que crescem em superfície e que, portanto, só poderão ser visualizados durante a endoscopia. Por outro lado, quando identifica alguma lesão, o doente terá de realizar a colonoscopia para a caracterizar e remover.

Por certo que também já ouviu falar num outro exame “a cápsula”. Este exame consta da deglutição de um pequeno aparelho que progride ao longo de todo o tubo digestivo e permite a captação de imagens. Mas também neste caso existem alguns problemas. Por um lado, é fácil de perceber que esta “cápsula”, que segue o seu trajecto sem parar, ao captar uma imagem que pode não ser clara nem óbvia em relação à sua natureza, obriga à realização da colonoscopia para esclarecimento. Por outro lado, com este exame, também não é possível a caracterização das lesões e a remoção dos pólipos, obrigando mais uma vez à realização da colonoscopia.

No rastreio do cancro do cólon e reto, todos os estes exames ou testes acabam por conduzir à realização da colonoscopia. Na realidade, a colonoscopia não só é o único exame que permite a observação directa do interior do intestino grosso, como também, como já sabe, permite a remoção dos pólipos.

No entanto, a colonoscopia é para algumas pessoas um exame difícil de realizar e em algumas situações, como já referi, não dispensa a anestesia. Estas dificuldades limitam o acesso da colonoscopia para o rastreio da população em geral. Porém, numa perspetiva de rastreio, gostaria de informá-lo que a observação dos segmentos distais do intestino grosso, incluindo o recto, a sigmoideia e o cólon descendente com um exame endoscópico designado por sigmoidoscopia flexível corresponde a uma óptima estratégia de rastreio do cancro do cólon e reto. Na realidade, a sigmoidoscopia flexível é um exame endoscópico muito fácil de realizar, sem necessidade de qualquer forma de anestesia, que requer uma preparação muito simples e que permite o diagnóstico de 70% de todas as lesões do intestino grosso.

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