Sobre o Cancro Colorretal

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O que está na origem do cancro do cólon e reto?

Esta doença não começa quando o cancro aparece; esta doença começa com uma célula que inicialmente perde a capacidade de morrer de forma programada e, depois, começa a crescer e a multiplicar-se sem controlo. Os factores determinantes nas alterações da vida desta célula não são completamente conhecidos. O que nós sabemos é que estas alterações vão dar origem a pólipos precursores do cancro do intestino, designados por adenomas. Sabemos, ainda, que apenas 10% destes adenomas se transformam em cancro, mas mais de 90% dos cancros do intestino têm origem nos adenomas. Esta sequência adenoma-cancro, aceite na história natural do cancro do cólon e reto, tem uma duração de 10 anos e é influenciada por vários factores. Muitos destes factores foram já identificados (genética, actividade física, dieta, tabaco, alguns medicamentos, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado) mas a sua importância ainda não foi quantificada.

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Quais são os sintomas ou queixas que poderão estar relacionados com o cancro do cólon e reto?

A presença de sangue nas fezes é de todos os sintomas aquele que mais o deve preocupar.

Mas a alteração do padrão habitual do funcionamento do seu intestino, quer dizer, aparecimento de prisão de ventre ou diarreia ou se tiver prisão de ventre passar a referir diarreia e vice-versa, também deve chamar a sua atenção.

As dores abdominais podem também existir, mas podem estar na base de múltiplas doenças e, portanto, são pouco específicas.

Existe ainda um sinal muito importante que é a presença de anemia.

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Quando tiver algum destes sintomas e/ou sinais, quais são os exames que poderão esclarecer a situação?

É óbvio que, se tem sintomas, deve procurar o seu médico, mas é importante saber que só existe um exame que poderá, de forma definitiva, diagnosticar o cancro do intestino e esse exame é a colonoscopia.

Existem outros exames como o clister opaco e, mais recentemente, a colonoscopia virtual, dos quais seguramente já ouviu falar. Estes exames são exames radiológicos que implicam a exposição obrigatória a radiações e para uma observação adequada não dispensam uma preparação exigente. No entanto, apenas a colonoscopia permite a realização de biopsias, imprescindíveis para a caracterização e diagnóstico definitivo dos tumores do cólon e reto. Portanto, a colonoscopia será sempre um exame indispensável e, assim, o clister opaco ou a colonoscopia virtual não dispensam a realização da colonoscopia.

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O que é uma colonoscopia? E qual a sua importância?

A colonoscopia é um exame endoscópico realizado com um aparelho flexível, o colonoscópio.

O doente está deitado sobre o seu lado esquerdo, com os membros inferiores semiflectidos (ver figura anexa), procurando uma posição confortável.

A colonoscopia é precedida pelo toque retal efectuado pelo médico gastrenterologista que irá em seguida realizar o exame. O colonoscópio é então introduzido através do ânus e progride lentamente ao longo do intestino grosso permitindo a observação completa da parede interior de todos os seus segmentos, desde o reto até ao cego.

Durante o exame, para a progressão do colonoscópio, é necessário introduzir algum ar no intestino, que provoca uma sensação de distensão e, ao ultrapassar as várias angulações do intestino, pode provocar dor, tornando o exame mais ou menos desconfortável. Assim, embora a colonoscopia seja habitualmente um exame bem tolerado, por vezes não dispensa a realização de anestesia. No entanto, as dificuldades relacionadas com este exame são muito variáveis e o facto da colonoscopia do seu amigo ou familiar ter sido difícil, não é obrigatório que seja o seu caso.

Uma exigência fundamental para a realização da colonoscopia é a limpeza do intestino. Na verdade, apenas com uma preparação adequada é possível a observação conclusiva da parede do intestino permitindo, assim, o diagnóstico das lesões de menores dimensões, incluindo pólipos de dimensões inferiores a 1 cm.

O diagnóstico das lesões mais pequenas é apenas uma das vantagens da colonoscopia. Na realidade, através do colonoscópio é possível a introdução de utensílios que permitem, simultaneamente, a realização de biópsias e principalmente a resseção de pólipos, um procedimento endoscópico designado por polipectomia. Estes procedimentos são sempre indolores e são realizados facilmente durante uma endoscopia sem necessidade de se recorrer a cirurgia.

A polipectomia, ao remover os adenomas e quebrando, assim, a sequência adenoma-carcinoma, interrompe a progressão dos adenomas para o cancro. Portanto, a colonoscopia e a polipectomia constituem em conjunto a melhor estratégia, não só para reduzir a mortalidade por carcinoma do cólon e reto mas, principalmente, para reduzir a frequência deste tumor.

No entanto, não posso deixar de o informar que a polipectomia está associada a algumas complicações relacionadas com a possibilidade de hemorragia e/ou de perfuração do intestino. Porém, o desenvolvimento das técnicas endoscópicas permite actualmente que a maior parte destas complicações seja resolvida com procedimentos endoscópicos, realizados durante a endoscopia, sem necessidade de recorrer a internamento ou cirurgia.

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