Paula Alexandra da Silva Soares Lopes Braga

  • Idade 44 anos
  • Profissão Empregada de Balcão

A minha neoplasia do cólon foi diagnosticada no dia 3 de Janeiro de 2009 (neoplasia do cólon sigmoide abcedada e perfurada com peritonite difusa) na urgência do Hospital S. Bernardo em Setúbal. Após a entrada neste hospital com cólicas abdominais muito fortes, fui observada pele equipe de médicos que estava de urgência, posteriormente fui submetida a alguns exames que não foram conclusivos. Devido à intensidade das cólicas e através de um rx que demonstrava muito ar à volta dos intestinos, fui informada pelos médicos que só poderiam chegar a uma conclusão através de cirurgia.

 

Hobbies: Leitura, desporto (body step, fitboxe, bodycombat)

Antes de vos relatar todo o meu estado clínico, quero fazer um agradecimento cheio de amor e eterna gratidão a todos os anjos brancos que se cruzaram nesta minha grande batalha.

A minha neoplasia do cólon foi diagnosticada no dia 3 de Janeiro de 2009 (neoplasia do cólon sigmoide abcedada e perfurada com peritonite difusa) na urgência do Hospital S. Bernardo em Setúbal. Após a entrada neste hospital com cólicas abdominais muito fortes, fui observada pele equipe de médicos que estava de urgência, posteriormente fui submetida a alguns exames que não foram conclusivos. Devido à intensidade das cólicas e através de um rx que demonstrava muito ar à volta dos intestinos, fui informada pelos médicos que só poderiam chegar a uma conclusão através de cirurgia.

Foi tudo muito rápido, nem deu tempo para pensar, como é evidente, nunca me passou pela cabeça que poderia ter cancro pois é como a velha história que só acontece aos outros.

É claro que deveria ter pensado pois os meus antecedentes familiares não são os mais famosos: o meu Pai faleceu com cancro no estômago, a minha Mãe (ainda viva) teve um cancro nos intestinos, o meu Irmão faleceu no dia 17/02/2010 com cancro no esófago. Como tudo aconteceu tão rápido, eu só soube que tinha uma neoplasia do cólon depois da cirurgia, recordo-me perfeitamente bem do meu medico estar ao pé de mim e me explicar todo o meu estado clínico e de me ter perguntado: Paula está a entender o que eu estou a explicar? Tem a noção do seu problema?

Era muita informação, um turbilhão de emoções tudo junto para o meu cérebro digerir e então só me lembro de dizer: estou Doutor, a única coisa que lhe digo é que tenho um filho e que quero vê-lo crescer e estou pronta para lutar e vencer esta batalha.

Após a cirurgia fiquei com menos 40% do intestino, com uma colostomia durante 14 meses, digo-lhe que essa palavra nem sequer fazia parte do meu dicionário, eu não sabia o que era. Vejo-me com um “saquinho” colado à minha barriga e eu na minha inocência ou ignorância, chamemos-lhe o que quisermos, pensava que era mais um dreno ou coisa parecida.

O que é que eu mais temia?

O que é que teme uma mãe de um filho de 9 anos com o quadro clínico como o meu?

Não poder ver o meu filho crescer, namorar, formar-se, não poder acompanhar os seus melhores e piores momentos.

Isso era o que eu mais temia mas comigo NÃO! Eu tinha de fintar a doença. Eu tinha e tenho de vencer.

Depois de cerca de 1 mês de internamento com todas as complicações inerentes a uma cirurgia de urgência mas sempre acompanhada por uma grande equipa à qual devo hoje estar aqui a dar o meu testemunho.

Começo então uma nova etapa da minha vida, um dia de cada vez com alguns projectos para o futuro, aprender a viver com a colostomia que não é um processo nada fácil e os tratamentos de quimioterapia (6 sessões intra venosa seguida de 2 semanas de comprimidos com intervalos de 3 em 3 semanas) feitos no serviço de oncologia de Setúbal que também foram um bocadinho difíceis. Mas neste processo de quimioterapia o que me custou nem foram os tratamentos, mas sim cada vez que os ia fazer ver uma cadeira vazia.

É claro que por muito positivos que sejamos muitas vezes pensamos que podemos voltar a sofrer, que o cancro pode voltar a reincidir, ou seja, podemos voltar à estaca 0 e de termos de passar pelo mesmo e vivemos sempre com esse fantasma. Mas eu não faço disso a minha bandeira, antes pelo contrário, tenho muita fé e todos dias para mim é uma bênção acordar e estar viva, como eu costumo dizer respiro 2 vezes mais que as outras pessoas para ter a certeza que ainda cá estou.

Por isso eu faço um apelo a todas as pessoas: façam o rastreio, pois se eu o tivesse feito não tinha passado por tudo isto. Foram dois anos num processo clínico que ainda não acabou e talvez nem teria sido sujeita a uma intervenção cirúrgica porque, quando é detectado a tempo, através da colonoscopia total evita-se muitas situações complicadas.

Um doente oncológico nunca está completamente curado, eu estou a ser vigiada no serviço de oncologia de Setúbal durante 5 anos e neste momento também no I.P.O. na consulta de risco familiar, depois é fazer durante toda a sua vida consulta de rotina e exames.

O que é que mudou em mim? Tudo.

Quando vimos a nossa vida passar por um fio, quando a morte nos bate à porta tem de mudar tudo.

Hoje tenho uma vida com “bombocas”, não sei se lembram das bombocas, aquele chocolate depois o creme por dentro e no fim a bolachinha nham…nham…nham… e na publicidade o Pai Natal dizia só há esta e é para mim.

Pois eu só tenho esta vida e vou aproveitá-la ao máximo com muito amor, tentando não magoar o próximo, respirando 2 vezes, fazendo de cada dia a história da minha vida , hoje sou uma pessoa que dá sem estar à espera de receber .

Mas tudo isto não era possível sem o apoio familiar e de muitos amigos, a família é muito importante neste trajecto de vida. Hoje sou uma Mulher muito feliz e amo as pequenas coisas.